terça-feira, 3 de março de 2009

Two Handed III - Esgotamento

Chovia enquanto o cego atravessava a rua, vendo ao longe uma bela charrua, na qual nunca ninguém fumara, senão o cocheiro, que jamais cheirara o salitre ou agarrara uma concha empurrada para fora da água e borda fora fora o Peter Pan, que nunca teve em sua mão uma pá ou apanhador. Noto, se me permitem, ser deveras complicado correr o bastante para interceptar a dor, sobretudo aquela súbita e inesperada que nem uma pontada, na barriga que merda quer expelir. Impelido à força do músculo anal, eis que ele exulta recto fora e mergulha decidido, no poço, túnel imenso, sem luz, dia ou noite, mas apenas com comparsas nojentos, que nem disfarçam a farsa de mau cheiro, que já nem denotam. Um dia, à socapa duma estranha gravidade aquática, desaguam num salto de ponta de esgoto, em direcção à agitada onda do mar, que domada só por engano, por força da edificação dum paredão ou esporão.

Exporão, no futuro, os nossos netos, as fotos desse esgoto a céu aberto. Sim, porque o céu também se fecha, ao contrário de quem larga a ameixa. Por falar em largar, deNoto uma tendência do meu parceiro para este verbo ventoso. Eu prefiro o Zéfiro gentil, mailo o meu homónimo prefixo. É esse o preço pré fixo de nos darem, sem perguntar, o nome do adulterado marido por obra e graça do espirro santo, ai mãe. Cuidado para onde espirram com “ó”, meus amigos. Os milagres acontecem, como as aranhas que apanham outros insectos sem setas. Não são é muito sensatas, ao fazê-lo nas beiras das portas. Há muitas correntes de ar... e voltamos ao mesmo. Resfriados e flatulências. Já dizia a minha avó: quem obstipa constipa. Sábia teoria, corrobor(r)ada por um Doutor incontinente que a vacinou certo dia: “a cerveja alemã do Lidl resolve congestões nasais e engarrafamentos intestinais. Edifica, São”.

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