Dipotria, meu amor,
espelho da minh'alma enevoada.
A terra é uma seara de dor,
o mar ondas de sargaço.
Mas se o peito repouso em teu regaço,
olho a terra e o mar: não vejo nada.
Aceita estes ósculos graduados
como prova singela do meu encanto.
Todos os males sofridos são passados,
o bem é presente e não futuro.
Amemos nossos corpos no quarto escuro.
A luz é pérfido quebranto.
A ver no mundo só escolhos,
prefiro, meu amor, ter-te nos olhos.
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