quarta-feira, 1 de abril de 2009

Pedaços de Prosa II



Mais ninguém o ousa exclamar, mas em solitário ecoar, eu grito:
Este Sol é ilusório,
não que não exista, mas a acção dos seus raios não se revela fonte bastante para aquecer a sombra, situada na sombria fachada suja do prédio, onde repouso o tempo e, na boca, o cigarro, antes de investir elevador acima - sim, porque eles também descem -, em direcção à quotidiana secretária e banal papel branco.

Não temo de frio, embora arrepie a alma, pela mentira que vendo todos os dias ao Dinis. Na concretização de carácter e convicções íntimas dos seus quinze anos, receio que declare tréguas à resistência a este belo prazer de adocicar a alma, adormecendo a ansiedade. Não irei fumar, já me dissera aos treze, mas um pai incapaz de se controlar, sempre receará o mesmo erro do seu filho.

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