sábado, 14 de fevereiro de 2009

Que dia é hoje?

É cedo.
O medo assaltou-me o torpor dos sentidos
na madrugada.
O caminho começa
muito antes da estrada.
Saio para a rua sob as luzes da cidade,
já quase inúteis ante a aurora inevitável.
A velha peixeira embrulha um sável
numa folha de jornal.
Um homem passa de mãos nos bolsos
e cospe uma tosse antiga e mortal.
Uma puta olha-me sem qualquer langor,
descrente na lua e no amor.
Que dia é hoje?

É tarde.
Os sentidos entorpeceram-me o assalto da hora.
A estrada acaba enquanto caminho.
Saio para a cidade sob as luzes da rua,
já quase inevitáveis ante a noite inútil.
Um velho jornal embrulha a peixeira.
Uma tosse antiga e mortal
cospe a mão de um homem que passa.
Uma lua olha-me sem qualquer langor,
descrente nas putas e no amor.
Que dia foi hoje?

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