
(Capa do jornal A Bola de 16.02.2009, in www.abola.pt)
O nosso campeonato sempre foi sítio hospitaleiro para grandes goleadores, quer estrangeiros, quer portugueses, conseguindo alguns deles tornarem-se, mesmo, os reis da Europa - vejam-se os casos de Eusébio, Fernando Gomes ou Jardel.
Contudo, de algum tempo a esta parte, a pequena semente da mediocridade tem vindo a medrar silenciosamente no seio da outrora fértil terra dos relvados portugueses. O que até se compreende e aceita, tendo em conta a actual conjuntura económica e financeira que obriga os clubes a preterir a qualidade dos jogadores em razão do preço dos mesmos - ou seja, como quem comprasse jogadores na loja dos chineses.
Este difícil período não fazia, no entanto, prever a catástrofe natural que assolou o nosso campeonato no passado fim-de-semana.
Aquela pequena erva daninha de medicridade tornou-se, da noite para o dia, uma árvore enorme e frondosa que cobriu de negras sombras os nossos arejados e coloridos estádios.
Os efeitos catastróficos de tal fenómeno (sobre)natural fizeram-se sentir particularmente de forma mais intensa em Belém, no Dragão e na Luz.
Foi nestes famigerados recintos que os infortunados espectadores tiveram oportunidade de assisitir a um dos espectáculos mais degradantes e humilhantes para o nosso futebol: os golos de Hélder Postiga, de Ernesto Farias de Di Maria.
Quando jogadores desta craveira técnica marcam golos pelas respectivas equipas, e mais, quando os seus golos são decisivos para a vitória dos seus clubes, é sinal de que algo está podre no reino da Liga Sagres.
Meus amigos, é oficial: o futebol português está prestes a bater no fundo. Quando um clube, por muito pouco dinheiro que tenha, não encontra Guarda-Redes ou Defesa Central capaz de parar os remates desengoçados destes maçaricos, não vale a pena procurar mais... Mais vale fechar a loja e abrir um clube de bilhar, ou até de malha ou sueca, se a massa não for muita.
Acho que em situações desta gravidade, a F.I.F.A. devia intervir e ordenar a suspensão de todas as competições futebolísticas nacionais até se apurarem os responsáveis por tais irresponsabilidades, após um inquérito rigoroso e exaustivo.
Não estejamos com paninhos quentes, ou falsos optimismos. A situação é preocupante... Tanto mais porque no próximo fim-de-semana é jornada de derby. Sabe-se lá o que pode acontecer: o Balboa a fintar um adversário? O Miguel Veloso a sprintar? O Bynia a jogar 2 minutos sem ver um cartão? Ou ainda pior, o Paulo Bento a fazer risca ao lado...
E ainda dizem que o dia do azar foi sexta-feira 13. Né?Né?
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